Sinto o fim a aproximar-se sob a máscara do princípio, mas é o fim e, eu sei.
Vejo claro, a nitidez da realidade é maravilhosa no seu estado horrendo, mesmo assim, é maravilhosa.
Sei que a dor não é meramente física, é também minha.
A transformação do meu corpo não me assusta porque conheço essa realidade real. Conheço.
Eu tenho medo das saudades que não tive, daquilo que não disse, daquilo que não fiz, do esquecimento que deixei, do amor que não dei, dos amigos que não lembram, dos colegas que esqueceram e, eu tenho medo.
Quero gritar como uma pessoa que se afoga, mas assim como esta, por vezes é inútil, isso é apenas desespero, medo. Quero falar com todos, explicar-me, mas também para isso é tarde. Quero o amor e a compreensão de quem amo, mas já não estou em condições de receber porque estou apavorado.
Olho à volta e procuro uma solução, uma resposta, um apaziguamento, um sentido para mim, agora, mas... não vejo. Desespéro. O tempo está em contagem decrescente.
A minha lágrima é seca porque não vergo.
A minha dor é muda porque não grito.
A minha fraqueza é invisível porque não mostro.
A esperança do milagre não me motiva, porque eu não me rebaixo a isso. Logo, eu não tenho esperança.
A doença não escolhe pessoas, é justa na vinda, varre a vida de qualquer um, sem honra nem glória. Portanto, hoje, eu não me sinto injustiçado, apenas, azarado.
O medo tomou conta de mim.
Quando olho para o céu numa destas noites de verão, pergunto-me, qual será a minha estrela no coração da minha bonequinha?
Tenho medo.
Tenho medo que não te lembres de mim e do quanto eu te amo. Tenho medo que não saibas isso.
Não tenho medo de morrer para o mundo. Tenho, apenas, medo de morrer para ti.
I want to be your lucky star, shinning down on you...
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