terça-feira, 26 de junho de 2012

Sem sono, sem tema, um livro, "Kafka à beira-mar". Vou ler, isso é certo, porque bater aqui umas palavras é coisa para 5 minutos sem pensar muito.
Calor absurdo, o de hoje. Se tivesse companhia quando saí do trabalho tinha ido para a praia em vez do Gym. Mas de qualquer maneira foi bom. Suei muito, treinei pouco, mas aquela aula de abdominais valeu o treino. A professora foi mazinha, mas os abdominaia tablete agradecem!
Gosto de treinar e ver resultados, faz-me sentir bem.
A minha boneca já manda umas bocas do género "tás diferente.. estava agora a olhar para ti.. e eu assim né?!.. tenho que fazer alguma coisa não achas!?..". Eu achar, até acho. Mas também sei se abrir a boca para achar com sinceridade, ela não vai gostar, por mais sincero que eu seja, por isso remato sempre... "gorda gosto de ti assim com granda tranca, sabes que o menino gosta de comida na mesa!". Ela ri-se e, "estúpido" mas sente-se bem e apreciada; em abono da verdade, gosto mesmo dela assim, abusada...
Íamos aonde??!! Não tenho sono. Vou ler.





See you later, Aligater.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

"Então puto, que é feito?"

Jogamos juntos no R.R.M em Rio de Mouro, alcunha dele, Cavalo, a minha, Oliveirinha. Tinhamos respectivamente 15 e 16 anos. Tudo era novo, a vida dele não estava fácil. Dramas familiares, falta de condições em tudo, desapego emocional, um filme.
Eu tinha tudo. Todas as condições, não me faltava nada. Acompanhava os meus amigos de níveis sociais mais baixos porque eramos um grupo, uma equipa, eramos AMIGOS.
Eu e o Cavalo íamos para todo o lado, comia na minha casa, ficava lá a dormir, desabafava com os meus velhos... estavamos juntos.
Encontramo-nos no Pingo Doce. Temos 30 e 31 anos. Ele é sargento da Marinha, está muita bacano, confortável financeiramente, tem um canuco e está separado da mãe dele. Está ai... para a festa. Eu não estou mal, sou enfermeiro, tenho trabalho, ganho para viver, tenho uma canuca e estou separado da mãe dela. Estou ai... para festa.
Estamos disponíveis. Bem dispostos exteriormente e com vontade para tudo.
Olhei para as compras dele, impressionante, iguais às minhas com a diferença que ele tinha um pacote de leite e eu um pack de 24 mini sagres. Ainda lhe perguntei "Foda-se puto, para quê tanto leite?!" A o que ele me respondeu: " Tenho o meu puto lá em casa este fim-de-semana". Claro só poderia ser, o que mais?!
Solteiros, jovens, bonitos (q.b), dinheiro e disponíveis.
O que falta para correr bem?





See you later, aligater.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Um selo

Serviço de Finanças de Sintra 2 (Algueirão - Mem Martins). Hora de abertura, 09:00. 08:26 lá estava eu mais 16, contei-os. Pensei, ainda nem tomei o pequeno-almoço, lá fui eu a correr rua abaixo, uma ventania que dava para descolar e aterrar na Nova-Guiné. Tomei o pequeno-almoço na Chorona, também a mim me apetecia e não era pouco, mas contive-me. Agora a correr, rua acima, com o sentimento de culpa e, barriga cheia, deveria ter ficado à espera como as outras pessoas, sob pena de, agora, passar lá a manhã toda. 08:47. 23 pessoas à minha frente para os mais diversos assuntos: execuções fiscais, contenciosos, partilhas, IMI, e eu, a merda do selo do carro e dar baixa dos recibos verdes, hasta mañana muchacho!!
Impressionante. Perante vinte e tal pessoas, os funcionários daquela repartição iam chegando e entrando, passando pelas pessoas sem um único bom dia! Está bem que isto está fodido! Mas o mínimo de educação ainda se exige, estavamos ali à espera dos meninos, mas não era para nos darem nada, mas sim para resolvermos, todos nós, as nossas situações. No meio disto, passa um funcionário daquela repartição no meio de nós e solta um bom-dia  à capela que no meio daquilo tudo, sinto que foi revigorante no interior das pessoas. Não foi díficil foi simples até. É uma questão de atitude e educação.
Quem precisa está fodido!... pensei eu quando saí de lá, passavam 2 horas.





See you later, Aligater

 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A minha televisão tem um fusível queimado, não deve ser nada, porque eu tenho muitos e ando aqui.
Consigo trabalhar, socializar, jardar uma piada no momento certo, sem desespero mórbido, consigo passar por mim. Mais reservado, ok, mas o pessoal pensa que é o do cargo.
Olho para a televisão fodida e penso: "que falta esta merda me faz!". Passará-se o mesmo comigo? Não sei. Devo ser o único que deve estar com saudades minhas, pois os outros tem a vida e o problemas deles.
Não vejo solução ao perto, nem ao longe. Ela está lá e não deve estar muito escondida mas eu não vejo porque não quero ver.
Vivo o meus problemas em vez da minha vida então os meus problemas são a minha vida.
Não encontro outra explicação mais lógica para esta merda.
A televisão continua num estado zombie, automático com vida própria a tilintar o som de on e off não responde ao comando e para a desligar só mesmo da ficha, nada a faz parar. Ela não liga mas também não desliga.
Eu também nem ligo nem desligo.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Meu velho

Não sei se te fez bem, mas sem dúvida, fez-te sentir melhor. Medo da dor, da limitação, da incapacidade, do envelhecimento. E eu vejo.
A massagem une-nos no toque, na intimidade, porque somos carne da mesma carne.
Tu sentes-te protegido e eu sinto-me teu protector, mas sinto também tristeza ou ver tudo isto assumir o rumo natural e pensar que já foste, e és a minha referência.
Tu sentes-te melhor, mas eu escrevo sobre aquele momento.
Tudo na minha cabeça são dúvidas, medos; e se tu não estiveres lá para mim, mesmo assim doente, meu velho?
Fui criança, adolescente, adulto imaturo e agora não me sinto capaz de assumir o meu papel nesta história macaca que é a vida.
Foda-se serei só eu? Ou haverá mais estorninhos por ai como eu?



See you...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pitinha

Tinhamos 20. Acabou tinhamos 22. Mas foram os dois anos de amor sincero. Agora vi-te, não és a mesma, não pensas o mesmo, não me olhas da mesma forma, somos diferentes.
Não interessa. Gostei de te ver, os meus olhos procuraram-te mas não te acharam, mesmo assim... és linda.
Gosto da tua gargalhada expontânea, gosto da tua ingenuidade, gosto da tua fragilidade, claro.. gosto de ti.
Os anos carregam histórias, todos sabemos, mas agora... o que importa? No fim de uma guerra sem vencedores nem vencidos, o que interessa é, aprender e seguir em frente.
O bolo estava bom. Desvalorizaste, mas estava. Eu sei que isso era importante.
Mas mesmo bom foi, olhar-te e transportar-me para os meus vinte anos. Foi só um café. Mas soube tão bem.





See you later, Aligater.